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Campinas tem média de 7 medidas protetivas por dia em 2026, e especialista defende prevenção da violência contra mulheres

Campinas tem média de 7 medidas protetivas por dia, e especialista defende prevenção Campinas (SP) registrou a concessão de 1.868 medidas protetivas entre j...

Campinas tem média de 7 medidas protetivas por dia em 2026, e especialista defende prevenção da violência contra mulheres
Campinas tem média de 7 medidas protetivas por dia em 2026, e especialista defende prevenção da violência contra mulheres (Foto: Reprodução)

Campinas tem média de 7 medidas protetivas por dia, e especialista defende prevenção Campinas (SP) registrou a concessão de 1.868 medidas protetivas entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O volume representa uma média de 7 por dia e é 18,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os números das Varas de Violência Doméstica e Familiar de Campinas colocam 2026 no maior patamar da série histórica, iniciada em 2018, quando as estruturas foram criadas. Embora o número seja recorde para o período, a advogada criminalista Erika Chioca Furlan avalia que o principal desafio está em investir em ações capazes de evitar que a violência aconteça - entenda mais abaixo. Para Erika, que é doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, professora de Direito Processual Penal e ex-delegada da Polícia Civil de São Paulo, o aumento das medidas protetivas não deve ser interpretado apenas como um crescimento da violência, mas também como um reflexo do maior conhecimento das mulheres sobre os mecanismos de proteção existentes. "A violência continua existindo e as mulheres estão tomando mais conhecimento do que é a violência e, com isso, estão levando às autoridades os fatos que têm acometido essas mulheres", afirma. Segundo a especialista, o temor de que casos de violência evoluam para feminicídios tem levado à concessão mais cautelosa de medidas protetivas. "Com medo de que aconteça um feminicídio, por mínima que seja a prova ou a solicitação, apenas com vontade, com desejo da mulher, essa medida protetiva é concedida", diz. Com assassinato de mãe de três filhos, região de Campinas chega a 15 feminicídios em 2026 Ela pondera, no entanto, que os dados não significam necessariamente que mais mulheres estejam sendo vítimas de violência atualmente. "As pessoas falam: a violência está crescendo. Não é a violência que está crescendo. O que está crescendo é o número de notificação dessa violência", avalia. Para Erika, a violência contra mulheres foi historicamente marcada pela subnotificação. Hoje, com mais informação sobre direitos e instrumentos legais de proteção, as vítimas tendem a procurar ajuda com mais frequência. "As mulheres tomando informação, tomando conhecimento, sabendo das possibilidades que a legislação dá e se fortalecendo nas suas decisões, chega uma hora que cansa, chega uma hora que cansa e aí é onde a mulher realmente vai levar a informação adiante", afirma. Medida protetiva é resposta, não prevenção Na avaliação de Erika, o crescimento das medidas protetivas evidencia um desafio maior: a maior parte das respostas institucionais ocorre quando a violência já aconteceu. "A mulher ela vai buscar a medida protetiva porque teve um crime que foi tipificado, ela tomou conhecimento e foi atrás da medida protetiva. Só que quando a gente fala em crime, a gente já está falando da prevenção terciária, que é o buscar ajuda quando o fato já ocorreu", explica. Para ela, o foco principal das políticas públicas deveria estar na prevenção primária e secundária, com iniciativas voltadas a impedir que situações de violência se desenvolvam. "O ideal é a gente pensar na prevenção primária, que é lá no começo, antes do fato acontecer, seria realmente um momento de evitar que a violência contra alguém, essa sensação de posse, essa sensação de poder dos homens sobre as mulheres, continue sendo disseminada", afirma. Erika defende investimentos permanentes em educação, conscientização e projetos que alcancem diferentes espaços da sociedade. "Depois que a violência aconteceu, a gente não tem muito para onde ir. A gente só tem estatística, a gente só tem número aumentando", diz. Segundo ela, escolas, universidades, empresas e organizações da sociedade civil precisam participar da construção de uma cultura de prevenção. "Projetos de educação, projetos culturais e projetos também dentro da sociedade civil", resume. Violência contra a mulher EPTV/Reprodução Formação e mudança cultural Para a ex-delegada, a violência contra mulheres também está relacionada a padrões de comportamento construídos ao longo da vida. "Esse homem foi sendo educado e construindo a sua masculinidade de uma forma que não pode expor sentimento", afirma. Na avaliação da especialista, muitos homens são educados a reprimir emoções e acabam sem desenvolver formas saudáveis de lidar com conflitos e frustrações, o que pode favorecer a reprodução de comportamentos violentos na vida adulta. Por isso, ela defende que o enfrentamento do problema depende de mudanças culturais profundas e de longo prazo. "A gente conseguiu evoluir muito com as questões de meio ambiente, a gente conseguiu evoluir muito com as questões de racismo. Quando se fala em violência contra a mulher, parece que é uma questão que não se pode falar muito", afirma. Ela também pede campanhas permanentes de conscientização para ampliar o debate. "A gente precisa de um marketing pesadíssimo para discutir essa questão em rede nacional e nos veículos em que realmente a gente tem acesso a toda a gama da população", diz. Medida protetiva não elimina o risco Embora considere a medida protetiva um instrumento essencial para a proteção das vítimas, Erika alerta que a determinação judicial, isoladamente, não é capaz de garantir segurança absoluta. "A medida protetiva não é um escudo protetor. Ela não blinda a mulher, não vai evitar que as coisas aconteçam", afirma. Segundo ela, a efetividade da medida aumenta quando há fiscalização, monitoramento e uma rede estruturada de apoio às vítimas. "Ela pode ser um facilitador para situações em que você perceba que essa mulher realmente sofre risco de vida", conclui. Mulher; violência doméstica Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.