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Carbono azul: o que o solo dos mangues revela sobre o futuro do clima

Cientistas criam 'termômetro' para medir a saúde do solo em manguezais do Brasil Wikimedia Commons/ Hofalfred O solo rico em nutrientes e matéria orgânica ...

Carbono azul: o que o solo dos mangues revela sobre o futuro do clima
Carbono azul: o que o solo dos mangues revela sobre o futuro do clima (Foto: Reprodução)

Cientistas criam 'termômetro' para medir a saúde do solo em manguezais do Brasil Wikimedia Commons/ Hofalfred O solo rico em nutrientes e matéria orgânica é o coração dos manguezais. Essencial para o funcionamento do ecossistema, ele agora conta com uma nova ferramenta de monitoramento: o Índice de Saúde do Solo (ISS). Desenvolvido por pesquisadores brasileiros, o mecanismo permite mensurar com precisão a qualidade dessas áreas, que funcionam como verdadeiros "berçários" da vida marinha. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Zonas de transição entre a terra e o mar, os manguezais são poderosos sumidouros de carbono. Eles absorvem o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e o armazenam no solo — o chamado carbono azul. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), esses habitats podem ser até 10 vezes mais eficientes na remoção de gases de efeito estufa do que as florestas tropicais. O Brasil é peça-chave nesse cenário, abrigando a segunda maior área de manguezal do planeta e concentrando cerca de 8,5% dos estoques mundiais desse carbono, conforme o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon). Veja mais do Terra da Gente, no g1: SALVAÇÃO: Bióloga se emociona ao ver no campo aves que ajudou a criar para salvar da extinção VEJA: 'Foi rápido', diz morador que filmou carcará com quero-quero nas garras COMO É? Cientistas brasileiros buscam vírus, remédios e respostas na Antártica Como funciona o índice? Cientistas criam 'termômetro' para medir a saúde do solo em manguezais do Brasil Wikimedia Commons/ Alberto Alerigi Publicado na revista Scientific Reports, o estudo detalha que o ISS funciona em uma escala de 0 a 1. Enquanto o 0 representa solos de pior qualidade, o 1 indica o funcionamento pleno das funções ecológicas. O índice compila aspectos biológicos, físicos e químicos para avaliar se o solo está cumprindo seu papel no ambiente. O método foi testado no estuário do Rio Cocó, no Ceará. Os resultados mostraram uma divisão clara: Áreas preservadas: atingiram média de 0,99, indicando solo de alta qualidade. Áreas degradadas: apresentaram média de 0,25, evidenciando a perda de funções vitais. A pesquisadora Laís Coutinho Zayas Jimenez, autora principal do estudo e chefe do setor de manguezais da Fundação Florestal, compara o monitoramento a um "check-up" médico. “Assim como exames indicam o funcionamento do organismo, os indicadores do solo mostram sua capacidade de sustentar funções essenciais. O objetivo é possibilitar que até não especialistas possam monitorar essa saúde com segurança”, explica Laís. Desafios da conservação Apesar da importância global, os manguezais enfrentam ameaças históricas. Dados da Perspectiva Global das Zonas Úmidas de 2025 indicam que o mundo perdeu milhões de hectares desse ecossistema nos últimos 50 anos, sendo que um quarto das regiões restantes está degradado. Veja o que é estaque no g1 hoje: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A recuperação, no entanto, não é simples. “Depende de condições do meio, como clima, e das características específicas do solo”, ressalta Laís. Ela reforça que a perda dessas áreas afeta toda a teia alimentar oceânica e a proteção da costa contra erosão e tempestades. A boa notícia é que o Brasil apresenta tendências positivas. Nas últimas décadas, os índices não apontam mais perdas significativas de áreas de mangue. Para a pesquisadora, esse resultado se deve ao avanço do conhecimento científico e à alta taxa de cobertura de manguezais por Unidades de Conservação (UCs), que garantem a proteção legal desses locais. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente