Câncer de suprarrenal: entenda tumor raro em jovem que morreu 10 horas antes da mãe no interior de SP
Mãe e filha morrem de câncer em intervalo de 10h: 'Nenhuma queria ver a outra morrer' O câncer na glândula suprarrenal que acometeu a empresária Cibele Mar...
Mãe e filha morrem de câncer em intervalo de 10h: 'Nenhuma queria ver a outra morrer' O câncer na glândula suprarrenal que acometeu a empresária Cibele Marchis, de 28 anos, morta 10 horas antes da mãe em Mogi Guaçu (SP), é uma doença considerada extremamente rara. De acordo com o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição, o surgimento de tumores nesse órgão registra apenas de um a dois casos por ano a cada 1 milhão de habitantes. Em entrevista ao g1, o médico do Vera Cruz Hospital explicou o comportamento, os sintomas e o tratamento da neoplasia maligna suprarrenal metastática. Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira (24) e a mãe, Maria Elisabete, às 1h58 da madrugada de sexta (25) em outro hospital, também em decorrência de um câncer. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp As glândulas suprarrenais, também conhecidas como adrenais, localizam-se acima de cada um dos rins. Elas são responsáveis pela produção de hormônios essenciais para o funcionamento do corpo humano (entenda abaixo). Segundo o oncologista, a maioria dos tumores identificados na suprarrenal são, na verdade, metástases de outros cânceres, como de mama, pulmão ou melanoma. O caso de Cibele, contudo, foi um tumor primário, que se originou na própria glândula e depois se espalhou. Nesta reportagem você vai conferir: O que é o câncer de suprarrenal Por que ele é considerado raro e qual a faixa etária mais atingida O que significa dizer que o câncer é metastático Quais são os sintomas Como o câncer de suprarrenal é descoberto Como é feito o tratamento Câncer de suprarrenal nem sempre é grave Como foi o caso de Cibele O que é o câncer de suprarrenal? As suprarrenais, também chamadas de adrenais, são duas pequenas glândulas que ficam acima dos rins. Elas produzem hormônios importantes para o funcionamento do organismo. A glândula tem duas partes diferentes, e o câncer pode começar em células de qualquer uma delas. Por isso, não existe apenas um tipo de câncer de suprarrenal. Segundo o oncologista, esses tumores também podem ou não produzir hormônios. Isso significa que o tratamento e a evolução da doença podem ser diferentes de acordo com o tipo de tumor. Em resumo até aqui: Suprarrenais ou adrenais: são as glândulas que ficam acima dos rins. Tumor primário: é aquele que começa na própria suprarrenal. Câncer de suprarrenal: não é uma única doença. Existem diferentes tipos de tumores que podem começar nessa glândula. Câncer suprarrenal é raro e pode surgir em diferentes idades Os tumores que começam na própria suprarrenal são raros. Segundo o oncologista, são registrados cerca de um a dois casos por ano para cada milhão de habitantes. Além disso, a doença pode aparecer em diferentes idades. Há casos em pessoas jovens e também em pacientes mais velhos. O médico explica que alguns casos estão relacionados a alterações genéticas. Uma delas envolve o gene TP53. Quando essa alteração está presente, o tumor pode aparecer mais cedo, inclusive entre o fim da infância e o começo da adolescência. Sem essa alteração, a doença também pode surgir em diferentes idades, inclusive em adultos jovens. LEIA TAMBÉM: Jovem que morreu de câncer 10 horas antes da mãe é exaltada por amigos: 'Nunca deixou de viver' Mãe e filha morrem vítimas de câncer em intervalo de 10 horas no interior de SP: 'Nenhuma queria ver a outra morrer' O que significa dizer que o câncer é metastático? Cibele Marchis, de 28 anos, manteve a rotina de trabalho, viagens e encontros com amigos durante a batalha contra um câncer raro Reprodução/Redes sociais No caso de Cibele, o câncer começou na suprarrenal e se espalhou para outras partes do corpo. Esse espalhamento é chamado de metástase. Segundo Vinícius, os locais mais comuns para onde esse tipo de tumor pode se espalhar são: pulmões fígado ossos rins Mesmo quando o câncer se espalha, existem tratamentos que podem ajudar a controlar a doença. Nessa situação, o objetivo deixa de ser eliminar completamente o câncer e passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível, aumentando a expectativa e qualidade de vida. A evolução varia de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e a resposta ao tratamento. Segundo o oncologista, alguns pacientes conseguem manter uma boa qualidade de vida durante o tratamento. À medida que a doença avança, porém, essa qualidade de vida pode diminuir. Quais são os sintomas? Os sintomas que levam ao diagnóstico podem variar. Um fator que pode influenciar isso é se o tumor produz hormônios ou não. Segundo o médico, entre 50% e 60% dos tumores de suprarrenal produzem. Quando isso acontece, os sinais podem aparecer por causa do excesso dessas substâncias no organismo. Dessa forma, entre os possíveis sinais estão: excesso de cortisol: retenção de líquido, inchaço e rosto mais arredondado; aumento de andrógenos como a testosterona: aumento de pelos e outros sinais de virilização; alteração na produção de hormônios ligada ao feocromocitoma: pressão alta, vermelhidão e alterações nos batimentos do coração. Esses sintomas, porém, não significam necessariamente que a pessoa tenha câncer. Pressão alta, alterações hormonais e outros sinais como esses podem ter várias causas não oncológicas. Como o câncer é descoberto? A investigação pode começar quando o paciente apresenta sintomas relacionados à produção de hormônios ou quando um exame de imagem encontra uma alteração na região da suprarrenal. Os médicos podem pedir: exames de sangue; exames de urina para medir hormônios; exames de imagem, como ultrassom e tomografia; exames para verificar se o câncer se espalhou para outras partes do corpo. A biópsia, que é a retirada de um pequeno pedaço do tumor para análise, nem sempre é feita diretamente na suprarrenal. Vinícius diz que esse procedimento pode trazer complicações e, em alguns casos, não consegue dizer com segurança se a alteração é benigna ou maligna. Por isso, dependendo do caso, pode ser necessária uma cirurgia para retirada total da lesão. Depois, a análise do material ajuda a identificar melhor o tipo de tumor. Como é feito o tratamento? O tratamento depende principalmente do tipo de tumor e de até onde a doença se espalhou. Quando o câncer está somente na suprarrenal, a cirurgia para retirar o tumor pode ser feita com o objetivo de curar o paciente. Dependendo do tipo e das características da doença, também pode ser indicada quimioterapia. Quando o câncer já se espalhou para outros órgãos, o objetivo do tratamento muda, como detalha o médico. “Quando você tem metástase, que aí não tem cura, o tratamento tem dois objetivos: é aumentar a expectativa de vida desse paciente e dar qualidade de vida.” O médico cita o mitotano como o principal medicamento usado especificamente contra tumores de suprarrenal. Dependendo do caso, também podem ser utilizadas imunoterapia e terapia-alvo, embora, segundo o especialista, essas opções tenham benefício menor nesse tipo de tumor. Câncer de suprarrenal é sempre grave? Não necessariamente. A evolução depende do tipo de tumor e de quando a doença é descoberta. Se o câncer estiver restrito à suprarrenal, existe a possibilidade de retirar o tumor por meio de cirurgia. Segundo Vinícius, uma boa parte desses pacientes pode ser curada e voltar a ter uma vida normal. Quando já existem metástases, o tratamento passa a ter como objetivos controlar a doença. Também não é possível falar sobre a evolução de todos os casos de câncer de suprarrenal da mesma maneira. Isso porque existem diferentes tipos de tumores que podem surgir nessa glândula, e cada um pode ter tratamento e evolução diferentes. Cibele enfrentava a doença desde 2023 A família conta que Cibele percebeu os primeiros sintomas em dezembro de 2023 e passou pela primeira cirurgia em agosto de 2024. No tratamento, fez outras operações, quimioterapia e usou medicamentos. Em dezembro de 2025, teve infecções relacionadas às cirurgias. A família chegou a ser chamada ao hospital diante da gravidade do quadro. Depois, ela recebeu alta e conseguiu viajar para a praia, mesmo convivendo com as consequências do tratamento, entre elas uma traqueostomia e uma bolsa de colostomia. Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) Arquivo pessoal A mãe Maria Elisabete, de 56 anos, foi surpreendida por um câncer agressivo no pâncreas tempos depois. Diferentemente da filha, o quadro dela se deteriorou rapidamente, e por conta das fortes dores necessitava de morfina. Estava internada desde quinta-feira (17) e chegou a ser visitada por Cibele. "Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu. Uma não ficou sabendo da morte da outra. É realmente uma coisa espantosa", disse Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele. Segundo parentes, a família estava velando o corpo da jovem quando, às 1h58 da madrugada desta sexta-feira (25), recebeu a notícia do falecimento de Maria Elisabete. Mãe e filha foram veladas juntas pela manhã e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.